sexta-feira, 6 de novembro de 2026 Amazonas
Urgente
Manaus

Alunos mantêm acampamento na Aleam e cobram volta do passe livre estudantil

Sem previsão para a normalização das recargas, estudantes planejam denúncia ao Ministério Público e pedem CPI contra o Sinetram

Foto: Rios de noticia

Estudantes e universitários continuam acampados em frente à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), na avenida Mário Ypiranga, no Centro-Sul de Manaus. Nesta sexta-feira, 6 de novembro, o grupo completou três dias de manifestação e cobra a retomada dos créditos do Passe Livre Estudantil.

O benefício foi suspenso na segunda-feira, 2, quando o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) informou, pelo aplicativo Cadê Meu Ônibus, a interrupção de novas recargas para alunos da rede estadual. Segundo o sindicato, há pendências financeiras no custeio do transporte coletivo. Já o Governo do Amazonas afirma que os repasses referentes a 2026 estão em dia e questiona dívidas herdadas da gestão anterior.

Na quarta-feira, 4, a Justiça do Amazonas acolheu pedido da Defensoria Pública do Estado (DPE-AM) e de entidades estudantis e determinou que o Sinetram restabeleça as recargas em até 24 horas após a intimação. O descumprimento prevê multa diária de R$ 50 mil, limitada a R$ 1 milhão.

Sindicato diz que depende de repasses

Em resposta à decisão, o Sinetram afirmou que a retomada das recargas depende do ingresso dos valores pela Prefeitura de Manaus e pelo Governo do Estado. De acordo com a entidade, o sistema de bilhetagem só libera créditos após a confirmação do dinheiro correspondente. O sindicato também disse aguardar providências dos dois governos para cumprir a determinação judicial.

Os estudantes, por sua vez, relataram que esperavam a presença de representantes do Sinetram e do Governo do Estado em uma sessão na quinta-feira, 5, para prestar esclarecimentos. Segundo a presidente da União dos Estudantes do Amazonas (UEE-AM), Thayli Duarte, o sindicato não compareceu. Em entrevista ao Rios de Notícias, ela afirmou que representantes do movimento já haviam se reunido com deputados estaduais na quarta-feira e entregue uma carta com reivindicações.

Novas medidas e impacto para as famílias

Durante coletiva na manhã desta sexta-feira, o movimento anunciou que pretende formalizar denúncia contra o Sinetram no Ministério Público e pedir à Câmara Municipal de Manaus a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação do sindicato. “Queremos saber para onde está indo o dinheiro do povo”, afirmou Thayli Duarte.

Estudantes secundaristas relatam dificuldades com a suspensão. A falta do benefício afeta a rotina de quem precisa se deslocar todos os dias para escolas e cursos preparatórios. Parte dos alunos também se preocupa com as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e do Processo Seletivo Contínuo (PSC) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), cuja primeira aplicação está marcada para este domingo, 8.

Até o momento, não há data definida para a normalização das recargas. Sindicato e governo divergem sobre a responsabilidade pelo custeio, e o caso segue sem solução prática para os estudantes da rede estadual.

Com informações de Rios de noticia.