Sinetram suspende novos créditos do Passe Livre Estudantil e governo rebate
Sindicato das empresas de ônibus cita dívidas do Estado desde 2025. Governo diz que está em dia com 2026 e que o débito anterior é questionado na Justiça.
O Sinetram, sindicato que reúne as empresas de ônibus do Amazonas, suspendeu o fornecimento de novos créditos do Passe Livre Estudantil para alunos da rede estadual em Manaus. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (2), pelo aplicativo Cadê Meu Ônibus. Segundo o sindicato, a medida vale a partir desta terça-feira (3). O Governo do Amazonas contesta a justificativa e diz que os pagamentos de 2026 estão em dia.
De acordo com o Sinetram, o Estado mantém pendências financeiras desde 2025. As concessionárias, afirma o sindicato, não têm condições de seguir antecipando recursos próprios para garantir a gratuidade. Com o bloqueio, os estudantes teriam de pagar a meia passagem enquanto não houver solução para o impasse.
O que muda para os estudantes
O sindicato esclareceu que os créditos já disponibilizados nos cartões continuam válidos e podem ser usados normalmente. A suspensão atinge apenas a liberação de novas cotas.
O benefício funciona por cotas mensais, calculadas conforme o número de dias letivos. No início de cada mês, o aluno precisa solicitar a gratuidade para receber os créditos do período. Quem não tiver saldo pode ter dificuldade para usar o transporte coletivo sem pagar.
Governo diz estar em dia
Em vídeo nas redes sociais, o governador Roberto Cidade afirmou que o último repasse, referente a outubro, foi feito no dia 23 do mês passado, no valor de R$ 3 milhões. Segundo ele, o governo já pagou R$ 27 milhões de subsídio ao passe livre neste ano. O governador classificou a atitude do sindicato como irresponsável e disse que os débitos de 2025 estão sendo questionados na Justiça.
Em nota, o governo informou que os valores do segundo semestre de 2025 são alvo de disputa judicial por falta de transparência na tabela usada pelo Sinetram. O Estado afirma que o sindicato cobra valores incompatíveis com o contrato e se nega a fornecer relatório mensal sobre o uso real das passagens.
Ainda segundo o governo, como a maioria dos alunos mora perto das escolas, a utilização mensal varia entre 4 mil e 24 mil passagens. Mesmo assim, o Sinetram cobraria o equivalente a 130 mil alunos.
Audiência sem acordo
O tema foi discutido em audiência de conciliação em 26 de outubro, no Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), que terminou sem acordo. Na ocasião, o sindicato disse que as concessionárias não conseguem custear as passagens estudantis sem a contrapartida financeira do Estado. Ainda não há previsão de quando os novos créditos serão liberados.
Com informações de CM7, Amazonas Atual.



