Amazonas acumula crises: do colapso do oxigênio à seca e à fumaça de 2026
Em cinco anos, o estado enfrentou falta de oxigênio, cheia recorde, secas históricas e queimadas. Em 2026, a emergência em saúde pública vale por 180 dias.
O Amazonas vive em 2026 mais um capítulo de uma sequência de eventos extremos. O Governo do Amazonas decretou situação de emergência em saúde pública por 180 dias, depois que a seca isolou mais de 600 comunidades no interior. Acidentes fluviais também causaram a perda de medicamentos e de cilindros de oxigênio medicinal.
Ao mesmo tempo, Manaus voltou a registrar os piores índices de qualidade do ar do Brasil, por causa da fumaça de incêndios florestais. O problema também atinge municípios do interior.
2021: falta de oxigênio e cheia recorde
Em janeiro de 2021, a segunda onda da Covid-19 levou o sistema de saúde de Manaus ao colapso. No pico da crise, o consumo diário de oxigênio chegou a 76,5 mil metros cúbicos, enquanto a capacidade local de produção era de 28,2 mil metros cúbicos. Mais de 500 pessoas foram transferidas às pressas para outros estados.
O Ministério Público Federal e a Defensoria Pública do Estado pedem indenização de R$ 4 bilhões contra a União, o governo estadual e a Prefeitura de Manaus, por supostas omissões e falhas de planejamento.
Em junho do mesmo ano, o Rio Negro chegou a 30,02 metros em Manaus, a maior marca desde 1902. A cheia afetou mais de 455 mil pessoas no estado, inundou áreas do Centro Histórico e exigiu cerca de 13 mil metros de pontes e passarelas de madeira.
Secas de 2023 e 2024 e a fumaça de 2026
Em outubro de 2023, o rio baixou a 13,59 metros, o menor nível em 121 anos. Os 62 municípios decretaram emergência, e mais de 600 mil pessoas foram afetadas. Escolas rurais suspenderam as aulas, e a praia da Ponta Negra foi interditada. Em Beruri, o fenômeno das terras caídas destruiu áreas e atingiu comunidades.
Em 2024, o Rio Negro chegou a 12,11 metros e fez novo recorde de seca. Segundo o governo estadual, mais de 800 mil pessoas foram afetadas, com prejuízos estimados em mais de R$ 600 milhões. Dados atribuídos ao Inpe indicam mais de 25 mil focos de queimadas no ano, o maior número em 26 anos.
Em 2026, entre setembro e outubro, a fumaça voltou a deteriorar o ar em Manaus e no interior, com níveis considerados ruins e perigosos. Aulas da rede municipal foram suspensas, eventos esportivos ao ar livre foram cancelados e unidades de saúde registraram atendimentos por problemas respiratórios.
O decreto de emergência em saúde busca organizar alternativas de transporte e garantir o fornecimento de insumos essenciais às comunidades isoladas pela estiagem.
Com informações de G1 amazonas.




