Às vésperas das eleições nos EUA, eleitores se dizem pessimistas com a economia
Inflação, tarifas e guerra com o Irã pesam no humor dos americanos, mesmo com desemprego baixo e crescimento sólido. Votação ocorre nesta terça-feira (3).
Na véspera das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para esta terça-feira (3), a economia domina as preocupações dos eleitores. Os preços altos e em alta são a principal queixa, e muitos americanos culpam as políticas do presidente Donald Trump, em especial as tarifas e a guerra com o Irã, pela inflação persistente. A votação vai definir se o Partido Republicano mantém o controle do Congresso.
Trump não está na cédula, mas seu histórico econômico pesa na decisão de voto. O clima, segundo a apuração da Reuters, é de ceticismo e, em muitos casos, de descontentamento.
Indicadores mistos
Os números mostram um quadro mais complexo. A taxa de desemprego foi de 4,2% em setembro e não passou de 4,5% por cinco anos seguidos, o período mais longo já registrado. Os pedidos semanais de auxílio-desemprego estão perto da menor marca em 57 anos.
A economia dos EUA cresceu a uma taxa anualizada de 3,4% no último trimestre, o melhor resultado do ano. Os investimentos empresariais subiram 12,7% no período, impulsionados pela demanda ligada à inteligência artificial. Os principais índices da bolsa também bateram recordes ao longo do ano.
As pesquisas de confiança do consumidor divergem. O índice do Conference Board melhorou em outubro, enquanto o da Universidade de Michigan registrou uma baixa quase recorde. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou à CNBC que as pesquisas “podem parecer um pouco pessimistas”, mas que o comportamento do consumidor está sólido.
Inflação e juros
O principal ponto de pressão é o custo de vida. Segundo o texto, a inflação está menor que no pico de 2022, mas bem acima da meta de 2% do banco central. Ela se acelerou neste ano, depois que EUA e Israel atacaram o Irã, num conflito de oito meses que elevou os preços dos combustíveis no mundo todo. A demanda por IA também contribui, segundo formuladores de política monetária do Fed e economistas.
De janeiro de 2025 para cá, os preços ao consumidor e a remuneração média por hora subiram cerca de 5,5%, de acordo com o Departamento de Estatísticas do Trabalho. Na prática, o poder de compra dos trabalhadores ficou onde estava quando Trump assumiu.
O Fed elevou os juros em setembro e deve fazer novo aumento em dezembro, segundo a reportagem. O presidente do banco central, Kevin Warsh, chama a medida de “remédio monetário”. As hipotecas de 30 anos passaram de 7% ao ano, e a oferta escassa de imóveis dificulta a compra da casa própria. Alguns economistas também alertam para riscos no boom da IA, após balanços de empresas como Amazon e Intel levarem o Nasdaq a uma queda acentuada.
Com informações de Portal do Holanda, Agência Brasil — Últimas notícias.
Foto de Donald Trump: Daniel Torok, licença Public domain (adaptada: fundo ampliado).




